Vamos estar KO não tarda nada. Seja por causa do tamanho do buraco de Alberto João, seja pelo de Sócrates, ou pelos muitos mais que ainda havemos de descobrir...
Antes que nos despenhemos na falência, que os bois sejam chamados pelos nomes e que não haja buracos por entender. E que seja uma lição civilizacional, já que os nossos filhos nos hão-de olhar de soslaio quando entenderem que grande coisa lhes vamos entregar. Quanto ao emprego, ao conforto, ao dinheirinho... preparemo-nos para um adeus português...
Dizer que quem herda em nada contribuiu para o património que recebe e ainda achar que por isso é legítimo retomar o mais absurdo e injusto dos impostos, diz bem do desespero que assaltou o país, na pessoa do seu mais considerado cidadão.
Abomino a mais recente ideia de Cavaco Silva com todas as forças. Mais do que achar que se trata de simples dupla tributação, abomino-a por ser um insulto o Estado ter parte na herança dos portugueses e o PR se dispor a considerar que, de alguma forma, eu não mereço o pomar dos meus pais...
Kadhafi acaba de ameaçar os que, na Líbia, se manifestam (e eventualmente alguns que foram além do pacifismo no protesto) com a repetição de Tiananmen ou Fallujah. A coisa é particularmente abominável para quantos sabem o que foram uma e outra coisa e elucida-nos sobre quem é realmente Kadhafi. Aliás, apesar das amizades interesseiras, oportunistas e sem vergonha na cara, Kadhafi nunca foi outra coisa e a fotografia do primeiro-ministro de Portugal sorridentemente sentado ao lado do tirano de Tripoli (na mesma festa onde pontuaram, ainda, eminentes democratas como os presidentes da Guiné-Conacri, Tunísia e Argélia) figurará entre os mais coerentes e exemplares casos de apostas bem-sucedidas e moralmente edificantes da política externa portuguesa.

Esta afirmação é, no mínimo, atrevida, mas confirma a falta de jeito do autor para Zandinga da política. Já antes se enganou e como se vai enganar novamente expresso-lhe a minha incontida admiração.... pela coragem com que insiste. De resto, gostei de ler.

No dia em que o Benfica foi campeão, F. aproveitou o entusiasmo do jantar e pediu uma significativa revisão do valor da mesada. Os pais, incrédulos, perguntaram-lhe porquê. F. desculpou-se com a crise e garantiu que esse aumento chegaria para o resto ano. Os pais lembraram a F. que a crise estava para durar, propuseram que deixasse de sair à noite, que se abstivesse de jogar poker online e, principalmente, que abandonasse a ideia tonta de comprar um novo portátil, uma nova BTT e de fazer um curso de pára-quedismo. F. amuou, chorou, respondeu e, por fim, a muito custo, obteve o apoio de S., seu irmão, que, depois de um ralhete, intercedeu e até pediu desculpa aos pais pelas consequências.
Os pais (quantas idiotices os Pais fazem pelos filhos, meu Deus...) acederam e, mais uma vez, apertaram o cinto do seu orçamento. Já tendo, à custa da crise, cortado na mercearia, no gasóleo e deixado de jantar fora, anularam então o Meo, desistiram do ginásio e desmarcaram as férias.
Ontem, F. aproveitou o jantar (o Benfica também jogou, mas é melhor não ir por aí) e explicou aos pais que decidiu, afinal, adiar a compra do portátil, da bicicleta, dos pára-quedas, desistir do curso, que já não vai gastar mais no poker e que passará a sair só ao Sábado. Mas que, afinal, o aumento da mesada não chega e precisa de mais outro tanto de aumento. Os pais perguntaram a F. se não tinha já dado uma entrada para a bicicleta, outra para o curso de pára-quedismo, se não tinha já comprado um trólei maior para o portátil... e se não deveria prestar contas certas do que havia feito com o dinheiro a mais. F. amuou, falou do dinheiro dos vizinhos, do apoio do irmão e da crise, que está agora muito pior e da teimosia dos pais que são retrógrados e incapazes de perscrutar grandes oportunidades e óptimas apostas. S. recusou apoiar F. do mesmo modo que há uns meses e acabou por encolher os ombros.
Os pais (quantas idiotices os Pais fazem pelos filhos, meu Deus...) deitaram-se e ficaram a falar sobre o assunto. Vão despedir a empregada e ligar à Cetelem para pedir uma consolidação de créditos.

A polémica blogosférica sobre o novo embaixador português em Estocolmo é tão inacreditável quanto elucidativa. De facto, o mundo dos blogs políticos portugueses é assaz claustrofóbico e não custa nada perceber como algumas palavras inocentes, quando lidas fora do contexto ou tomadas como sérias, se podem tornar incendiárias.
Do assunto em si, Francisco Mendes da Silva diz aqui e aqui o essencial. Certo é que depois de fundar e escrever as letras da Sétima Legião - coisa de que o próprio muito se orgulha publicamente - muito dificilmente algo que Francisco Menzes (o embaixador) faça no futuro me fará tão feliz. E isso basta-me.
Cantar,
Como quem canta um fado.
Um amor que passou,
Traços de um vento apagado.
Um mundo que acabou,
P´ra não ter de mudar.
Vou cantar,
Nas palavras de um fado.
As trovas que nos diz,
Um rei sem trono nem reinado.
Sem novas nem país,
Por ter de navegar,
Ter de navegar.
Eu vou cantar por quanto passei.
Eu vou cantar porque te encontrei.
Vem navegar para longe no mar.
Há um navio para nos levar ao fim do mar...
Cantar um temporal que se levanta para nos alcançar.
Mas a bandeira azul e branca vai tornar ao mar.
Da cor do teu olhar,
Azul no olhar.
Navegar, música da Sétima Legião, letra de Francisco Menezes

Sob pena de eu acordar doido um dia destes, o governo socialista da república em que estamos tem que parar de fazer sentido. Claro que aumentar a despesa ao mesmo tempo que o crescimento do PIB derrapa e garantir que o déficit vai descer faz sentido; e faz sentido, obviamente, anular concursos por falta de dinheiro sujeitando o país a indemnizar os concorrentes quando sabíamos, há meses, da falta do dinheiro; faz tudo sentido. Eu é que não estou a ver bem...
Verdadeiramente importante é foi a chamada de atenção do Vladimiro para Pedro Paixão - pelos vistos partilhamos, pelo menos, um herói de adolescência. Admito que a minha (adolescência) se vem prolongando inadmissivelmente, pelo menos no que ao autor diz respeito. Também porque me impressionou, há tempos, uma crua reportagem na TV sobre a intimidade do autor e o seu padecimento psiquiátrico, ficou-me um crescente apetite pela releitura dos meus favoritos (A Noiva Judia, Boa Noite, PortoKioto, Asfixia) e pelo esforço a fazer pelos títulos que não visitei. De todo o modo, Pedro Paixão é o mais próximo que existe da genialidade na escrita dos nossos dias.
E, curiosamente, isto não está muito distante desta coisa de vida perdida de que padecem, leiam-se os jornais, as idades que vêm desde o rabo mostrado a Manuela Ferreira Leite pela geração rasca baptizada por Vicente Jorge Silva. Não sei definir as outras idades posteriores tão bem quanto essa porque me perco entre a minha incapacidade para distinguir entre hip-hop e rap e a inenarrável ressureição do break-dance. E porque não me apetece muito demorar-me no som que por aí anda, basta explicar que me parecem estes dias uma vertigem - a demonstração inequívoca do caos amplamente anunciado nas quase pré-históricas entrelinhas de Aldus Uxley. O admirável conceito de sucesso florescente entre os homens mais que imperfeitos sempre me intrigou o suficiente para que me tornasse uma agnóstico da natureza humana.
E vale-me estar de férias... e penar entre jantares de coelho estufado a acompanhar a reserva da Quinta da Alempassa, ou as ameijoas à moda da minha Maria regadas pelo chardonnay do costume e pequenos almoços de pão com azeite, oregãos, presunto e tomate...
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